domingo, 20 de fevereiro de 2011

Comunicação Intra e Interpessoal

http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/comunicacao-intra-e-interpessoal/23148/

A comunicação humana pode ocorrer de várias formas. Estas possuem características especificas, no entanto se integram para possibilitar uma sincronia entre idéias, contexto e relação pessoal.

Para tornar o entendimento mais claro abrangendo os aspectos da interação humana, podemos inferir que a comunicação pode ser intrapessoal e interpessoal.

COMUNICAÇÃO INTRAPESSOAL

A comunicação intrapessoal é a linguagem para um só, onde a fala torna-se pensamento. Está intimamente relacionada às idéias, os sentimentos e os desejos.

É o que muitos falam para os amigos no momento em que está passando por algum momento decisivo em sua vida: “Escute a sua voz interior”. É exatamente esta voz interior, este diálogo que realizamos consigo mesmo que denominamos de intra (dentro) pessoal (pessoa).

A comunicação intrapessoal é aquela mensagem que circula no nosso interior, na nossa mente, sendo assim, os pensamentos. Estes pensamentos e a forma como iremos exprimir uma mensagem antecede a ação de falar, e, a maneira como processamos mentalmente uma informação influenciará a nossa interação com o outro.

A maneira como percebemos e recebemos mentalmente uma informação influencia na nossa interação com o outro nas diferentes situações do cotidiano precedendo a comunicação interpessoal e as nossas expressões.

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

A comunicação interpessoal realiza a transmissão de informação, idéias, sentimentos, desejos ao outro. Torna ação o pensamento ao indivíduo mais próximo, não podendo ser restringida a duas pessoas, a três ou até pequenos grupos.

É importante sabermos que a comunicação realizada entre duas pessoas difere daquela realizada para pequenos grupos, grandes grupos e em massa.

Na comunicação entre duas pessoas há uma interação com ausência de pressão de terceiros para defender ou apoiar uma idéia, de um dos dois elementos envolvidos na interação. Através dos argumentos, cada pessoa se posiciona para defender seu enunciado.

Entretanto, uma comunicação em pequenos grupos, com o realizado entre amigos em um bar, na faculdade ou no trabalho, por exemplo, existirão mais pessoas para defender, apoiar ou reprovar uma idéia de um membro.

Desta forma, as comunicações neste contexto situacional sofrem interferências conscientes ou inconscientemente, uma vez que membros de um grupo se arriscam para defender uma posição, por saber que existe apoio, o que não aconteceria se a comunicação se estabelecesse por uma díade, na qual os interlocutores encontram-se sozinhos.

Por fim, a comunicação realizada, estabelecida em um grupo é significativamente afetada pelo tipo de pessoa que exerce autoridade sobre ela.

Diante de uma comunicação pública, constituída em grandes grupos, haverá uma desigualdade na quantidade de fala, pois o retorno verbal é limitado, uma vez que não são todas as pessoas que irão se pronunciar.

Geralmente as pessoas que proferem para grandes públicos possuem mais oportunidade de planejar e estruturar os seus comentários perante uma palestra, o que não ocorre com assiduidade numa díade ou pequeno grupo.

No que se refere à comunicação em massa, não existe contato pessoal entre receptor e emissor, por ser veiculada através da mídia eletrônica ou mídia impressa, sendo influenciada por editores ou produtores, situação que não ocorre nos outros tipos de comunicação.
Enfim, a comunicação intra e interpessoal constituem-se funções básicas da linguagem: elevar os atos da realidade à abstração e ao pensamento.

As geniosas e talentosas Gerações X e Y

http://www.superempreendedores.com/empreendedorismo/recursos-humanos/as-geniosas-e-talentosas-geracoes-x-e-y

As geniosas e talentosas Gerações X e Y
Eu nem ia escrever sobre este assunto, uma vez que já está sendo bem “batido”, mas semana passada eu vi vários artigos aleatoriamente sobre comparativos entre baby boomers, geração X, Y, e esta coisa toda. Bem, pode ser que de tanto ver, eu tenha ficado condicionada e comecei a pensar com meus botões sobre a relação destas gerações entre si e com as mudanças constantes e tendências de gestão tão volúveis e “experimentáveis”.
Resumidamente, a ordem cronológica segue a seguinte linha (as datas variam um pouco de acordo com o autor):
1. Baby boomer: nascidos entre 1946 e 1964, no período pós guerra nos EUA, Inglaterra e Rússia – responsáveis pela consolidação do valor dos bens de consumo como carros, casas, televisão, etc. Este grupo inclui a maior parte dos executivos de topo, líderes e políticos, bem como a camada superior da administração na maioria das organizações;
2. Geração X: nascidos entre 1964 e 1975, conhecidos como os precursores do empreendedorismo, pessoas voltadas às ações, e criadores da internet e da visão `fora da caixa´;
3. Geração Y: nascidos entre 1976 e 1994, aqueles que cresceram já com tecnologia, mas que devido ao cenário mundial e nenhuma segurança com o próprio futuro, muitas vezes ainda não fizeram diferença e dependem dos pais boomers para pagar as próprias contas…
Ok, essas definições realmente não se encaixam como uma luva ao Brasil! Sim, porque os “nossos” baby boomers não foram parar na Guerra do Vietnã, nem ficaram aos milhares assistindo chocados ao assassinato de Kennedy. Ao mesmo tempo em que isto acontecia, aqui os “nossos” baby boomers assistiam – com as poucas televisões dos poucos privilegiados brasileiros – os primeiros passos do desenvolvimento de nossa industrialização, a abertura de mercado, a criação da Petrobras, escândalos políticos e ainda que lutassem, muitos foram calados durante a ditadura militar.
Os boomers se caracterizaram por uma geração que se adaptou à busca e conquista de um bom emprego ou – com mais sorte – a criação de sua própria empresa, aproveitando a crise mundial pós-guerra que promoveu o início das grandes exportações brasileiras. São profissionais com tendência à manutenção do mesmo emprego por longos anos (praticamente a vida toda), afim de obter estabilidade financeira até a aposentadoria ao final de sua trajetória profissional. Defensores ferrenhos do resultado a curto prazo (alguém disse downsizing aí?). E ainda são eles que geralmente encontramos – mandando e desmandando – no topo das empresas. Mas não são deles que quero falar.
Logo abaixo temos os gestores e a liderança da chamada Geração X, um pessoal atualmente na faixa entre 35 a 45 anos, que se graduou e entrou no mercado de trabalho quando a maioria dos cargos importantes já estava sendo ocupada pelos boomers, o que logicamente, causa ainda bastante frustração. São pessoas ativas, e assim sobrevivem no ambiente corporativo apesar de algumas se sentirem ameaçadas pela supremacia dos boomers e as inovações constantes e adaptabilidade dos Yers.
Não são muito apegados ao emprego em si, aprenderam a agir por conta própria, pois têm sempre em mente deixar a empresa para empreender ou trabalhar em outras empresas, onde possam ocupar melhores cargos. É do tipo fiel à empresa, até que surja uma oportunidade melhor. O que não está errado, mas incomoda, e muito, os boomers, e me preocupa, vou dizer o porquê.
Como já disse, este pessoal é ativo e aprendeu a se esquivar dos obstáculos e a sobreviver dentro do mundo corporativo FAZENDO, e não só MANDANDO, o que me sugere uma carga extra de experiência prática. Não estou dizendo que os boomers só sabem mandar, milhares deles ralaram sim, e não tiro seus méritos, mas agora vou “puxar a sardinha” um pouco para o lado dos Xers.
Olhem só isso: segundo um artigo que li no site hreonline.com, atualmente existem 78 milhões de Boomers e 92 mihões de Yers no mundo corporativo, e o artigo questiona como o RH pode preencher esta lacuna. Ué! Cadê os Xers? Por que não foram mencionados em momento algum neste artigo? Teoricamente eles deveriam estar na sucessão dos boomers, e em conseqüência, nós deveríamos aprender com eles!
Tudo bem que nós, Yers, fomos muito privilegiados com informações e tecnologia, e não podem nos condenar por isto. Somos hoje quem interage com o mundo atrás de informações que possam agregar valor e agilidade aos negócios. Sim somos ótimos, vitaminados, necessários e nada modestos. Mas nós sabemos e assumimos: quem está a mais tempo ali vendo a realidade do chão de fábrica não somos nós. Nosso maior conhecimento é sobre teorias e avanços tecnológicos que por vezes nem sabemos como aplicar da melhor forma. E onde estão os Xers, com sua experiência prática, para nos orientar? Eu digo: estão acima de nós e abaixo dos boomers, mas não ao nosso lado. Seria individualismo ou algo pessoal? Incômodo em passar o conhecimento adiante? Falta de confiança? Competitividade? Parece-me que hoje são poucos os que querem cooperar, formar alianças conosco.
Agora, se uma das fortes tendências é a Gestão 2.0, tão já citada mundo afora, por que não unirmos a nossa habilidade como colaboradores e pesquisadores em massa, à experiência prática? O que perderíamos com isso? Com certeza nada. Vamos quebrar estas barreiras de idade e pensamentos, preconceitos, tantos receios e bloqueios em conhecer o novo (inclusive pessoas novas), em aceitar inovações. Todos sairão ganhando colaborando mutuamente. Vamos renovar e reciclar os talentos, juntos. Os boomers aos poucos estarão saindo do mercado, e temos muito o que fazer e aprender (com eles!) antes de perdermos nosso precioso tempo com estas picuinhas de quem pode mais! Desculpe, caro leitor, mas tenho horror a estes paradigmas!
Nós incomodamos, eu sei, somos curiosos, geniosos, cheios de vontade e opinião, batalhamos de igual para igual por um futuro promissor, queremos usar o msn em horário de trabalho e ainda custamos menos. Mas faço aqui um apelo: Geração X, podem nos chamar de “filhinhos de papai” e de metidos a sabichões, mas humildemente vos digo, nós precisamos aprender com vocês, e vocês, conosco!

Dificuldades com segundo idioma podem fechar portas para profissionais

http://www.blog.noticiaweb.info/dificuldades-com-segundo-idioma-podem-fechar-portas-para-profissionais/

A fluência em um segundo idioma tornou-se essencial para que os profissionais consigam boas oportunidades ou mantenham-se no mercado de trabalho.

De acordo com um levantamento da empresa de pesquisas HR, realizada com 130 organizações, 70% delas requerem profissionais para o cargo de analista com fluência no inglês.
Na avaliação da sócia e diretora da Outliers Professional Language School, Ho Mien Mien, é muito comum ver erros sendo cometidos ao aplicar o inglês em uma negociação, uma conferência, na elaboração de um relatório, em um simples e-mail ou apresentação.
“É comum às pessoas falarem que têm fluência no inglês, porém engasgam quando precisam usá-lo em situações profissionais que exigem os termos específicos da sua área de atuação. Há também os casos de confusão de escrita ou de utilização dos falsos cognatos”, afirma.
Aplicação
Para o diretor-geral da Outliers, Augusto Rocha, não basta apenas ensinar o idioma ao aluno, mas sim inseri-lo na sua realidade, de modo que, durante as aulas, sejam apresentados vocabulários e situações rotineiras.
“Ao vivenciar situações do trabalho em aula, o aluno tem mais possibilidades de conseguir o aprimoramento do idioma. Turmas pequenas e homogêneas permitem isso. A presença de professores que já atuaram na mesma área profissional do aluno colabora para uma assimilação mais fácil de como aplicar e desenvolver o vocabulário. Um engenheiro químico utiliza as mesmas expressões ou termos que um profissional de recursos humanos?”, questiona o professor.
Foram essas razões que motivaram Ho Mien Mie a criar uma escola que fosse capaz de solucionar esses problemas nos profissionais brasileiros.
“Por vários anos acompanhei esse perfil ou presenciava os diálogos em inglês. E, por ter fluência no idioma, conseguia levantar quais eram as principais dificuldades, as pronúncias incoerentes e até os erros que ocorrem nas negociações, devido a esses deslizes. Para sanar as dificuldades e permitir que os profissionais consigam usar definitivamente o inglês no seu dia a dia, fundamos a escola”, finaliza.

Geração Y pede novos estilos de liderança

http://dinheirama.com/blog/2010/03/04/geracao-y-pede-novos-estilos-de-lideranca/


Você já parou para pensar que o perfil dos  funcionários está mudando? A conhecida Geração Y - dos indivíduos nascidos após 1980 - que ocupa diversos cargos nas empresas pede um novo perfil de liderança É possível atender a essa demanda? Eu acredito que sim, depende da tomada de consciência e atitude para buscar um novo paradigma de gestão.
A Geração Y traz consigo a disposição para o trabalho, idéias inovadoras, desejo de crescimento profissional, quer ganhar muito dinheiro, tem perfil muito competitivo e um senso de urgência fora do comum. Ufa! Tudo isso e muito mais, apontam vários estudos realizados. O líder, como já sabemos, tem um papel fundamental dentro das empresas, mas como administrar funcionários com esse perfil? Como fazê-los trabalhar bem em equipe onde existam  profissionais mais experientes e com comportamentos diferentes?
O portal Você RH traz relatos de alguns gestores de grandes empresas sobre essa questão. Eles compartilham suas experiências nesse sentido e dão pistas sobre o sucesso de gestão. Veja o que eles dizem:
  • Johnson & Johnson cuida do desenvolvimento profissional dos funcionários através de sessões de coaching e até seminários de filosofia[bb] com o objetivo de proporcionar a reflexão sobre anseios e valores pessoais e profissionais. Para promover o surgimento de relações mais maduras e desenvolver habilidades para lidar com uma geração tão inquieta e questionadora são promovidos treinamentos para a Geração X. Os resultados são positivos, garante o gerente de Rh da empresa, Nilson Gomes: “A J&J aproveita o que esses jovens têm a oferecer, com essa troca, ela já mudou alguns velhos conceitos";
  • Siemens usa sua expertise em tecnologia para monitorar o desenvolvimento profissional especialmente os da geração Y. Por meio da internet líderes e funcionários traçam objetivos e ações. Esse canal de comunicação favorece a troca de idéias, o feedback das ações é mais rápido e o reconhecimento pelo esforço é claro. “As pessoas percebem que estão sendo observadas e que estamos realmente investindo nelas:premiações financeiras e oportunidades de movimentação na carreira são oferecidas aos funcionários” diz Sylmara Piedade Requena, diretora de RH de desenvolvimento, sucessão e recrutamento;
  • Unilever reconhece seus talentos e trabalha no sentido de retê-los na empresa, onde o foco é o gerenciamento da impaciência e dinamismo da geração Y. “A opção da companhia é de tomar um cuidado especial na observação dos indivíduos para, assim, encaixá-los nas situações mais adequadas. É preciso estar bem próximo do profissional no dia-a-dia, para entender seus anseios e decidir em que projeto alocá-lo, onde ele se dará bem e como poderá contribuir melhor para o negócio“ explica Vera, representante da geração Baby Boomers;
  • Basf aproveita todo o potencial criativo e dinâmico da geração Y em projetos que solicitem alta perfomance e muita energia. Wagner Brunini, diretor de Rh afirma que o líder deve ter um papel de inspirar pessoas, já que a posição hierárquica não basta. As pessoas que gerem os Y têm de saber que a realidade mudou e por isso, os jovens estão sempre envolvidos em novas propostas e tarefas, fazem parte de grupos de trabalho, nos quais participam ativamente, e são cobrados por resultados. O que os atrai é a possibilidade de desenvolvimento e aprendizado;
  • Embraer é uma empresa muito procurada pela geração Y, por seu caráter tecnológico e presença internacional.  Eunice Batista, diretora de suporte ao desenvolvimento de pessoas, explica que “a fórmula para assegurar a satisfação dessa força de trabalho mais jovem associa meritocracia, desenvolvimento de lideranças, aprendizado contínuo e ambiente de ampla participação. As equipes multifuncionais favorecem a ampliação do conhecimento”. O importante para a empresa é que seus líderes estejam próximos  a eles, saibam valorizar a diversidade  aproveitando o potencial de cada um.
Podemos ter algumas importantes pistas sobre como os líderes podem conduzir essas equipes compostas por perfis tão diferentes. O objetivo desse texto é inspirar. O essencial sempre continua sendo a comunicação assertiva, respeito pelas diferenças e valorização do ser humano em toda sua potencialidade. E, claro, muito trabalho! Se você é da Geração Y ou trabalha com estas pessoas tão especiais, deixe-nos seu comentário a respeito dos desafios do ambiente de trabalho.

As 10.000 horas (Malcolm Gladwell)

http://empreendersaude.com.br/2011/02/04/fora-de-serieos-beatles-malcolm-gladwell-e-as-10-000-horas/

Os estudantes que seriam os melhores em sua classe praticavam seis horas por semana, aos nove anos de idade oito horas por semana, aos doze anos dezesseis horas por semana e aos vinte anos de idade estavam praticando muito acima de trinta horas por semana. De fato, aos vinte anos, a elite da performance tinha totalizado dez mil horas de prática.

Fora de Série - Outliers

http://www.administradores.com.br/aperfeicoamento/livros/fora-de-serie-outliers/3074/

Para Gladwell, mais importante do que entender como são essas pessoas é saber qual é sua cultura, a época em que nasceram, quem são seus amigos, sua família e o local de origem de seus antepassados, pois tudo isso exerce um impacto fundamental no padrão de qualidade das realizações humanas. E ele menciona a história de sua própria família como exemplo. Além disso, para se alcançar o nível de excelência em qualquer atividade são necessárias nada menos do que 10 mil horas de prática - o equivalente a três horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos. Aqui você saberá também de que maneira os legados culturais explicam questões interessantes, como o domínio que os asiáticos têm da matemática e o fato de o número de acidentes aéreos ser mais alto nos países onde as pessoas se encontram  a uma distância muito grande do poder. 


Outros links

http://oliderdossonhos.wordpress.com/2009/05/25/mozart-beatles-gates-e-as-10-000-horas/

http://www.valoresreais.com/2010/10/10/resenha-fora-de-serie-outliers-de-malcom-gladwell/

http://www.lucianopires.com.br/idealbb/view.asp?topicID=10494

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O segredo do sucesso

http://super.abril.com.br/ciencia/sucesso-584272.shtml


Pela primeira vez, começamos a entender quais são os fatores que levam ao sucesso. Treino tem a ver. Fracasso também. Descubra por que algumas pessoas se dão bem na vida - e veja o que você pode fazer para chegar lá

por Karin Hueck
Você chega cedo ao trabalho, entrega tudo no prazo, se dá bem com seus colegas e conhece os processos como ninguém. Ainda assim, está há anos no mesmo cargo, fazendo o arroz com feijão de sempre. De repente, chega um novato na área. Ele é jovem, tem as roupas da moda, se deu bem com a chefia e, pior, começou a abocanhar os melhores projetos. Em 6 meses lá está ele, promovido, na vaga que deveria ser sua. Em dois anos, ele virou seu chefe. No fim, você teve de reconhecer o talento do novato e aceitar que você não nasceu para ser chefe. Mas será que é isso mesmo? O que as pessoas bem-sucedidas têm que você não tem? A resposta, dolorida, é: nada. Absolutamente nada. Seu chefe, o dono da empresa, o Kaká e o presidente Lula não vieram ao mundo com um sinal gravado nos genes que diga: eu nasci para brilhar. Muito menos têm um talento inato que você não possui. Para desespero dos medíocres da nação, a ciência está descobrindo que todo mundo (e isso inclui você) teria potencial para ser a bolacha mais recheada do pacote. Aqui você vai descobrir como - e o que pode dar errado no meio do caminho.
Você vai ser um sucesso? Clique na imagem abaixo e faça o teste!

É difícil se acostumar com a ideia de que nascemos todos com as mesmas chances de brilhar. Principalmente quando olhamos para aquelas pessoas que parecem ter habilidades sobrenaturais - aquelas que fazem você se lembrar diariamente das suas limitações: as crianças prodígios, por exemplo. A maior de todas as crianças prodígios foi Wolfgang Amadeus Mozart (perto dele, a menina Maysa é amadora). Aos 3 anos, o austríaco começou a tocar piano, aos 5 já compunha, aos 6 se apresentava para o rei da Bavária de olhos vendados, aos 12 terminou sua primeira ópera. Há séculos, ele vem sendo citado como prova absoluta de que talento é uma coisa que vem de nascença para alguns escolhidos. Mas parece que não é bem assim. A vocação de Mozart não apareceu do nada. Seu pai era professor de música e desde cedo dedicou sua vida a educar o filho. Quando criança, Mozart passava boa parte dos dias na frente do piano. As primeiras peças que compôs não eram obras-primas - pelo contrário, contêm muitas repetições e melodias que já existiam. Os críticos de música, aliás, consideram que a primeira obra realmente genial que o austríaco escreveu foi um concerto de 1777, quando o músico já tinha 21 anos de idade. Ou seja, apesar de ter começado muito cedo, Mozart só compôs algo digno de gênio depois de 15 anos de treino.

A regra das 10 mil horas
Quer brilhar muito na vida? Passe 10 mil horas praticando. Pelo menos, foi isso que os grandes especialistas de todas as áreas fizeram.

Os genes não determinam o sucesso. Isso é bom, porque quer dizer que basta você se esforçar para melhorar o seu desempenho. E isso é ruim também, porque você depende apenas do seu suor para chegar lá. Suor, no caso, são 10 mil horas. Entenda aqui o tamanho da encrenca:

O mesmo pode ser observado com talentos das mais diversas áreas. Ronaldo, o Fenômeno, tinha de ser arrancado dos campos de futebol quando criança porque não queria fazer nada que não fosse jogar bola. Os técnicos de Michael Jordan se lembram de que o jogador era sempre o primeiro a chegar aos treinos e o último a ir embora. E mesmo Bill Gates, como bom nerd que era, não fez sua fortuna do nada: quando adolescente, ele passou boa parte da sua (não muito agitada) vida programando computadores enfurnado numa sala da Universidade da Califórnia. Ou seja, mesmo aquelas pessoas bem-sucedidas, que parecem esbanjar talento, ralaram muito antes de chegar lá.

Isso faz todo sentido, se considerarmos a nova maneira como os cientistas têm enxergado a influência dos genes na formação de talentos. Aquilo que costumamos chamar de "talento natural para liderança" ou "aptidão nata para os esportes" parece não ter nenhuma relação com o nosso DNA. "Não há nenhuma evidência de que exista uma causa genética para o sucesso ou o talento de alguém", diz Anders Ericsson, professor de psicologia da Universidade da Flórida que há 20 anos estuda por que algumas pessoas são mais bem-sucedidas do que outras. A questão aí reside no fato de os genes (e sua interação com a nossa vida) serem um assunto tremendamente complexo - que dá pesadelos até nos geneticistas mais gabaritados. Já se sabe, por exemplo, que até mesmo traços diretamente ditados pelo DNA, como a cor dos nossos olhos, são definidos por mais de um gene que se relacionam entre si. O que dizer, então, de atributos mais complexos?

Há alguns anos, o fetiche dos laboratórios tem sido relacionar genes a traços de personalidade ou a propensões para desenvolver distúrbios psiquiátricos. O mais famoso deles é o 5-HTTLPR, que em 2003 virou notícia ao ser chamado de o "gene da depressão". Ele previa uma interação com o ambiente: quem tivesse sofrido um trauma pessoal e carregasse o 5-HTTLPR em seu DNA teria também alta probabilidade de ficar deprimido. Muitos outros estudos foram no embalo dessa descoberta, e logo vieram à luz genes que explicavam a ansiedade, o déficit de atenção, a hiperatividade e até a psicopatia. No ano passado, no entanto, uma série de novos estudos virou essas descobertas de ponta-cabeça. Numa revisão que incluiu todas as pesquisas já feitas sobre o gene da depressão, concluiu-se que era impossível concluir que ele influísse na doença. (Isso, sim, é deprimente.) Já com os outros distúrbios, as descobertas foram ainda mais intrigantes. Os mesmos genes que causariam ansiedade, psicopatia, hiperatividade etc. podiam ter os efeitos opostos dependendo do ambiente em que o portador fosse criado. Ou seja, quem carrega esses genes "malditos", mas não passa por traumas, será muito mais ajustado do que quem não tem essas mutações. E o que se conclui disso tudo? Bem, que os cientistas ainda vão quebrar a cabeça por muito tempo. Se não dá nem pra dizer que existe um gene da depressão, como falar, então, do gene da "habilidade-de-driblar-adversários-e-chutar-a-bola-no-gol"? Ou seja, ainda não há consenso entre os cientistas de que exista talento para futebol (ou pra música ou pra gerir uma empresa). Pelo menos, não um ditado pelo DNA.

99% transpiração

Em 1992, pesquisadores ingleses e alemães resolveram estudar pessoas talentosas para entender o que as diferenciava dos reles mortais. Para isso, investigaram pianistas profissionais e os compararam com pessoas que tinham apenas começado a estudar, mas desistido. (Pianistas são excelentes cobaias porque seu talento é mensurável: ou eles sabem executar a música ou não sabem). O problema foi que os cientistas não conseguiram achar ninguém com habilidades sobrenaturais entre as 257 pessoas investigadas - todos eram igualmente dotados. A única diferença encontrada entre os dois grupos é que os pianistas fracassados tinham passado muito menos tempo estudando do que os bem-sucedidos. Quer dizer, não é que faltou talento para os amadores virarem mestres - faltou dedicação.

Ok, isso não é novidade. Todo mundo sabe que a prática leva à perfeição. A novidade é que, pela primeira vez, cientistas conseguiram medir o tempo necessário de estudo para alguém se destacar internacionalmente em alguma área: 10 mil horas. Foi a esse número que o especialista em sucesso Anders Ericsson chegou depois de observar os grandes talentos das mais diversas áreas. Todo mundo que foi alguém, ele concluiu, do campeão de xadrez Kasparov ao Steve Jobs, ficou esse tempo todo aperfeiçoando seu ofício. E não estamos falando de exercícios leves. O que realmente faz alguém ficar bom em algo é treino duro, dolorido, no limite do executável. No fim das contas, é treino tão difícil que modifica seu cérebro. (Só para constar: estima-se que aos 6 anos Mozart já tivesse estudado piano durante 3 500 horas. Quer dizer, ele não era talentoso, era assustadoramente dedicado.)

É aí que está a chave do sucesso: no cérebro (pra variar). Nosso cérebro é formado por duas partes principais: a massa cinzenta (os neurônios) e a massa branca. Durante muito tempo, acreditamos que a capacidade cerebral estava escondida nos neurônios. Nos últimos 5 anos, no entanto, neurologistas e psiquiatras resolveram estudar a massa branca, que até então era ignorada. O que eles descobriram mudou a maneira de entender as habilidades.
A massa branca é formada principalmente por mielina, um tipo de gordura que envolve os axônios (aquele rabinho comprido que todo neurônio tem). Ela serve de isolante para os impulsos elétricos que percorrem o cérebro. Sempre se soube que a mielina estava distribuída de forma irregular ao redor dos neurônios, mas só agora descobriu-se por quê. Ela é depositada sobre as células nervosas com o intuito de melhorar a condução da eletricidade. A distribuição desigual serve para deixar os impulsos elétricos mais precisos - para chegarem ao mesmo tempo nos neurônios, por exemplo (veja no quadro abaixo). À medida que os impulsos elétricos se tornam precisos, eles coordenam melhor os nossos movimentos e pensamentos. Isso vale para qualquer tipo de ação: de jogar basquete a entender física quântica ou falar em público. "Quando você pratica algo, a mielina se deposita e os sinais entre as sinapses vão ficando mais eficientes. A mielinização leva à perfeição", diz George Bartzokis, professor de psiquiatria da Universidade da Califórnia, maior especialista do assunto no mundo. Esse processo é tão importante que até um bebê recém-nascido só abre os olhos depois que a mielina em seu cérebro se depositou nos lugares certos. Da mesma forma, afirma Bartzokis, um idoso perde sua mobilidade não porque seus músculos se atrofiaram, mas porque a mielina do cérebro decaiu.

Pane no sistema
Para a mielinização ser mais eficiente, é preciso errar muito e sempre. Você já deve ter sentido isso na pele. Quando cai da bicicleta ou leva uma bronca do seu chefe por causa de um relatório malfeito, você vai se esforçar em dobro para o escorregão não acontecer de novo. "Se você sempre repetir aquilo que já sabe, não há evolução. O ideal é falhar tentando algo novo e mais difícil", diz Anders Ericsson. É nessa condição que a mielina é mais eficientemente espalhada pelo cérebro. Os que erram - e treinam mais - são também recompensados. Isso é visível em ressonâncias magnéticas. Músicos, escritores e crianças que tiram nota alta têm muito mais massa branca do que seus pares "comuns". Quem, aliás, era recordista em massa branca era Einstein. Quando o cérebro do físico foi dissecado, notou-se, entre outras coisas, uma quantidade anormal de mielina. "Quem nunca errou nunca fez nada de novo", dizia ele.

Na teoria, a mielina é muito linda: ela recompensa quem se esforça e qualquer um pode ser bem-sucedido. Mas, como tudo na vida, há algumas limitações (ou você acreditava realmente que poderia ser como o Kaká?). O auge da mielinização acontece durante a infância, quando toda forma de atividade é novidade e tem de ser aprendida: de abrir os olhos a usar os talheres. Até os 30 anos, ela continua em alta escala - e é justamente quando se aprendem novas habilidades com facilidade. Até os 50, a mielina ainda pode ser ajustada em direção a um ou outro aprendizado. Depois disso, infelizmente, as perdas são maiores que os ganhos. A mielinização continua, mas para preservar as aptidões já adquiridas. Ou seja, a má notícia é que, se você quisesse ter sido o Kaká, deveria ter começado cedo. Já a boa é que, se você se contenta em apenas melhorar o seu trabalho para ser promovido, há tempo de sobra.

Além da idade, há algumas limitações sérias. Há cérebros mais preparados para mielinizar do que outros. Por exemplo, quem não consegue metabolizar apolipoproteínas já sai perdendo. Elas são proteínas que se ligam às gorduras (o colesterol, principalmente) e têm grande influência na produção de mielina. (Mielina tem muito colesterol. Por isso, se você andava cortando o ovo com medo de problemas cardíacos, pense que isso pode estar emburrecendo você. Não é à toa também que médicos ultimamente têm receitado ovo para pacientes com Alzheimer - ele parece influir nas habilidades do cérebro.) Essa disfunção pode ser detectada numa análise genética, mas, adivinhe só, como tudo que envolve genes, ainda não está esclarecida.

Tem que lutar, não se abater

Se treino é responsável por boa parte do sucesso das pessoas que chegaram ao ponto mais alto do pódio (outros fatores virão), é preciso entender o que as levou a se esforçar tanto. Quem passa 10 mil horas da vida se dedicando a qualquer coisa que seja tem pelo menos uma característica muito ressaltada: o autocontrole. É ele que permite que a pessoa não se lembre que seria muito mais legal dormir ou estar no bar do que trabalhando. O teste do marshmallow, feito na Universidade Stanford na década de 1960, é o melhor exemplo que se tem sobre a ocorrência de autocontrole. Psicólogos ofereciam a crianças um grande marshmallow e davam a elas a opção de comê-lo imediatamente ou esperar um tempinho enquanto os psicólogos saíssem da sala. Se as crianças esperassem, ganhariam de recompensa um segundo marshmallow. Apenas um terço das crianças aguentava esperar, o resto comia o doce afoitamente. (Há um vídeo na internet desse teste feito nos dias de hoje. As imagens das crianças tentando resistir à tentação são de partir o coração.) Depois, os pesquisadores acompanharam o desempenho dessas crianças nas décadas seguintes. Aquelas que haviam esperado pelo segundo doce tinham tirado notas mais altas no vestibular e tinham mais amigos. Depois de anos estudando esse grupo de voluntários, concluiu-se que a capacidade de manter o autocontrole previa com muito mais precisão a ocorrência de sucesso e ajustamento - era mais eficiente do que QI ou condição social, por exemplo. Por isso, tente sempre atrasar as gratificações - passe vontade e não faça sempre o que der na telha: o segredo para o sucesso pode estar aí.

A questão agora é entender por que algumas pessoas abrem mão do prazer imediato em troca do trabalho duro, e por que outras preferem sempre sair mais cedo do escritório. O processo mental, na verdade, é muito simples: para ter autocontrole, é preciso não ficar pensando na tentação e focar naquilo que é realmente importante no momento - por exemplo, terminar o serviço. É possível que esses traços tenham uma origem genética, mas é mais provável que a diferença esteja em outro ponto importante para entender o sucesso: motivação. Quem está motivado para ganhar uma medalha olímpica ou fazer um bom trabalho também abre mão da soneca da tarde com mais facilidade.

Motivação e ambição são um negócio meio misterioso, na verdade. Não funciona para todos da mesma maneira. "A maioria das pessoas sonha com um emprego estável, um salário aceitável, um chefe legal. Nem todo mundo tem ambição e quer crescer o tempo todo", diz Marcelo Ribeiro, professor do departamento de psicologia social e do trabalho da USP. Evolucionariamente, isso também faz todo o sentido. Durante séculos de seleção natural, alguns poucos ambiciosos foram escolhidos para conquistar os melhores pares, os maiores pedaços de comida e os cargos de liderança. Infelizmente, toda essa fartura não pode ir para todos - e a maioria teve de aprender a se satisfazer com o pouco que sobrou.

Dinheiro também não é a solução para todos os problemas. Nem sempre ele funciona como um bom motivador. (Não deixe seu chefe ler isso, se você estiver querendo um aumento.) Num estudo da Universidade Clark, nos EUA, que testava a capacidade de voluntários de resolver problemas de lógica, o dinheiro só atrapalhou. Aqueles que eram recompensados financeiramente para chegar à solução levavam muito mais tempo para resolver o problema. Os outros, sem a pressão do dinheiro, se deram melhor. Em muitos casos, acreditar que você está fazendo algo relevante é mais eficiente para motivação do que um salário mais rechonchudo. Não é à toa, então, que empresas que esperam resultados inovadores têm horários e cobranças flexíveis - para esses funcionários, fazer a diferença e a ilusão de independência valem mais do que ganhar bem. "O desejo de atribuir significado ao nosso trabalho é uma parte inata e inflexível da nossa composição. É pelo fato de sermos animais concentrados no significado que podemos pensar em nos render a uma carreira ajudando a levar água potável à Malaui rural", escreve o filósofo pop francês Alain de Botton, em seu livro Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho.

Agulha no palheiro

Christopher Langan e Robert Oppenheimer eram dois americanos de QI sobre-humano (o de Christopher é um dos maiores de que se tem notícia: 195. O QI de Einstein, por exemplo, era 150). Christopher aprendeu a ler sozinho aos 3 anos, aos 15 desenhava retratos tão realistas que pareciam fotografias, aos 16 gabaritou o vestibular e perto dos 20 decidiu dedicar sua vida à física teórica. Já Robert fazia experimentos químicos complexos aos 8 anos de idade, aos 9 já falava grego e latim e aos 22 tinha concluído seu doutorado, com passagens pelas Universidades Harvard e de Cambridge. Os dois, além de gênios, eram esforçados e passaram a juventude enfurnados em livros - alcançaram facilmente a marca das 10 mil horas de estudo. Robert virou um dos físicos mais importantes do século 20 e ficou conhecido como o "pai da bomba atômica", pois liderou o time que desenvolveu a arma durante a 2ª Guerra Mundial. Já Christopher fracassou. Largou a faculdade em pouco mais de um ano. Trabalhou como garçom, operário da construção civil e zelador. Hoje, vive enfurnado em casa, sozinho, tentando elaborar uma teoria geral que explique o Universo inteiro. O que foi que deu errado com Christopher?

É duro dizer, mas sucesso depende também de uma boa quantidade de sorte. Estar na hora e lugar certos é muito importante - às vezes até mais do que as horas de treino. Christopher Langan, por exemplo, nasceu em uma família pobre. Chegou à faculdade porque ganhou uma bolsa de estudo. Mas teve de largar as aulas depois de perdê-la, porque sua mãe, que nunca acompanhou ou incentivou seus estudos, esqueceu-se de renovar o contrato que daria ao filho mais um ano de estudos grátis. Sim, ele deu muito azar. Não por causa da mãe desleixada - mas porque nasceu em uma família desestruturada. Um estudo feito na Universidade do Kansas mostrou que crianças que crescem em classes sociais mais baixas ouvem, em média, 32 milhões de palavras a menos nos primeiros 4 anos de vida do que seus colegas abastados (sim, alguém contou). Além disso, elas são expostas a um vocabulário menos variado e não são incluídas nas conversas "de adulto". Isso pode não ter consequências diretas na inteligência das crianças, mas tem na maneira como elas se relacionam com as pessoas.

Ter habilidade social, aliás, é fator determinante para ser bem-sucedido. E é esse o elemento que foge das estatísticas da ciência. Em áreas em que os mais talentosos são sempre recompensados, como nos esportes ou na música, a regra das 10 mil horas e a importância da persistência fazem sempre sentido. Mas, em ambientes onde a competição é velada, como nos escritórios, o talento pode facilmente ficar em segundo plano - e perder importância para o tête-à-tête, as famosas afinidades. "A personalidade de uma pessoa afeta não só a escolha do trabalho mas, mais importante, quão bem-sucedida ela vai ser na carreira", diz Timothy Judge, especialista em carreira e personalidade da Universidade da Flórida. Timothy revisou 3 estudos longitudinais de personalidade que acompanharam a carreira de mais de 500 pessoas e chegou a conclusões interessantes. Pessoas autoconscientes, racionais e que pensam antes de agir costumam ganhar mais e subir mais cargos. Já quem é extrovertido e emocionalmente estável é mais feliz. Para o pesquisador, depois de anos observando as pesquisas, subir de status pode ser importante, mas o fator mais determinante para o sucesso ainda é sentir-se realizado. "Se a pessoa está infeliz no trabalho, tem de descobrir o que está atrapalhando. Senão o sucesso não vem mesmo."

Virados para a lua
Infelizmente, nem tudo que ronda o sucesso depende só de você. Um tanto de sorte é necessário para se dar bem na vida. Veja dois exemplos em que fatores que fogem do seu alcance podem fazer toda a diferença.

Berços de excelência
Há alguns ambientes em que tudo acontece ao mesmo tempo e surgem grandes oportunidades de sucesso. Foi o caso da Inglaterra nos anos 60, bem no início do rock, quando dezenas de boas bandas, dos Beatles aos Beach Boys, conquistaram o mundo. Ou do Vale do Silício na década de 1980, quando Bill Gates, Steve Jobs e Paul Allen aproveitaram o começo da computação para criar suas empresas e faturar milhões. É questão de sorte, mas procure sempre estar no lugar em que as coisas estão acontecendo.

Dias especiais
O dia do nascimento também pode interferir no sucesso (e não tem nada a ver com horóscopo). É comum que num mesmo ano letivo estudem crianças que nasceram no 1º semestre e outras que nasceram no 2º semestre do ano anterior. As que nasceram no ano anterior, entraram na escola um pouco mais velhas. Essa diferençazinha vira uma grande vantagem quando se trata de crianças pequenas. Os mais velhos terão a coordenação motora e o desenvolvimento intelectual mais adiantados do que os outros.

Para saber mais

Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho
Alain de Botton, Rocco, 2009.

Fora de Série - Outliers
Malcolm Gladwell, Sextante, 2008.

O Código do Talento
Daniel Coyle, Agir, 2010.

The Genius in All of Us
David Shenk, Doubleday, 2010.

A história do sucesso

http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/a-historia-do-sucesso#


A história do sucesso

Livro de autor norte-americano defende que o contexto social e cultural é determinante para as ações de um indivíduo e o desenvolvimento de seus talentos. Keila Grinberg discute essas ideias em sua coluna deste mês.
Por: Keila Grinberg
Publicado em 10/12/2010 | Atualizado em 10/12/2010
O sucesso, tratado no livro praticamente como uma precondição da felicidade, é normalmente associado a dinheiro e à carreira profissional. (foto: sxc.hu)
Pode parecer estranho, mas acabei de ler um livro intitulado História do sucesso. Ou melhor, esse é o subtítulo. O título é Outliers, traduzido para o português como Fora de série (Sextante, 2008). Em inglês, o livro é acompanhado de uma orelha arrebatadora sobre Malcolm Gladwell, o autor.
Livro Outliers
Capa do livroOutliers’, traduzido para o português como ‘Fora de série’.
Segundo esse pequeno texto da capa, Gladwell teria “mudado a forma como entendemos o mundo” em seu primeiro livro e, no segundo, “mudado a maneira como nós refletimos sobre o pensamento”. Em Outliers, a promessa é que ele “transformaria a forma como entendemos o sucesso”. Eu mal podia esperar para começar a ler.
Gladwell parte de um princípio simples e ambicioso: o de que gênios não existem, e o talento não é nada se não for desenvolvido em um contexto social e culturalmente favorável.
Parece óbvio, e é mesmo. Mas nem tanto quando lembramos que estamos falando de um livro escrito por um americano (ainda que nascido na Inglaterra e criado no Canadá) para americanos, leitores imersos em uma cultura fortemente influenciada pela ideia dos self-made men, dos homens que constroem seus destinos baseados apenas no mérito e na força de vontade.

Talento e oportunidade

O autor mostra como crianças (de 5 e 6 anos) muito estimuladas desde jovens têm mais probabilidade de sucesso do que outras – em um capítulo altamente sedutor, demonstra que os grandes times canadenses de hóquei são formados por atletas nascidos nos primeiros meses do ano.
Como as classes são divididas por ano, aqueles nascidos em janeiro e fevereiro seriam maiores e mais fortes do que os outros e, assim, mais afeitos a entrar nos grupos de treinamento especial. Com 15 anos, já estariam há dez anos treinando mais tempo e com melhores técnicos, o que os faria muito melhores do que os outros, nascidos, por exemplo, em novembro. Estes até poderiam também ser talentosos, mas não teriam tido as mesmas chances. Talento, então, seria também uma questão de oportunidade.
Talento, então, seria também uma questão de oportunidade
Em uma análise que pretende combinar elementos de psicologia, educação, sociologia e história, Gladwell basicamente argumenta que, sem se levar em conta o contexto em que uma pessoa nasceu e foi criada, a origem e a formação acadêmica de seus pais, o grau de envolvimento destes com a educação de seus filhos, o tempo devotado ao estudo ou à prática de algo – 10 mil horas é seu número mágico –, é praticamente impossível explicar por que algumas pessoas têm sucesso e outras não.
Essa é a primeira parte do livro. Ao terminá-la, fiquei pensando menos sobre o que, de fato, torna as pessoas bem-sucedidas em si e mais nessa nossa obsessão (não apenas americana) com o sucesso. No livro, ele é praticamente uma precondição da felicidade.
E como sucesso é sinônimo de carreira bem-sucedida e conta bancária recheada, quem não está enquadrado nessa categoria é automaticamente um loser – um perdedor. Não há espaço para quem tem outras aspirações. Ou para quem não tem aspiração nenhuma.

A cultura e o indivíduo

Essa primeira parte do livro é a mais explorada nas resenhas escritas a respeito (veja, por exemplo, as da revista Businessweek e do The New York Times). Mas, para mim, é na segunda que mora o maior problema. Intitulada 'Legado', a segunda parte é basicamente uma aplicação da teoria anteriormente desenvolvida, só que desta vez para culturas. Não é exatamente a ideia de que algumas culturas, assim como as pessoas, têm mais chance de sucesso do que outras. Mas é quase isso.
Malcolm Gladwell
O autor americano Malcolm Gladwell, durante a conferência PopTech! 2008. (foto: Kris Krüg/ CC BY NC 2.0)
Isso fica claro quando Gladwell tenta desenvolver sua “teoria étnica dos acidentes aéreos”.  Citando o caso, ocorrido em 1990, de um avião pilotado por colombianos que aterrissaria no aeroporto JFK, em Nova Iorque, ele argumenta que as dificuldades dos pilotos em relatarem para a torre de comando que o avião estava ficando sem combustível seriam culturais. Criados em uma cultura altamente hierarquizada, eles não teriam tido, em uma emergência, a mesma reação que alguém cuja criação tivesse ocorrido em uma sociedade mais igualitária, como a americana, por exemplo.
Em uma análise de arrepiar os estudiosos contemporâneos da cultura, Gladwell transforma as culturas quase em camisas-de-força para explicar a ação individual. Para fugir do simplismo que atribui todo mérito ao indivíduo, o autor cai no extremo oposto: o determinismo cultural, do qual nem mesmo o mais industrioso dos seres humanos parece conseguir sair.
Gladwell transforma as culturas quase em camisas-de-força para explicar a ação individual
Ao fazer isso, deixa de ver as culturas como fenômenos complexos, com os quais os indivíduos constroem diferentes relações, a partir de suas diferentes posições na sociedade. Assim como não é possível afirmar que cada cultura tem uma definição, também não dá para dizer que os indivíduos pertençam a uma cultura – como no caso dos pilotos colombianos –, nem que a utilizem da mesma forma como se abre uma gaveta para escolher a roupa que se quer usar.
A relação do indivíduo com as suas culturas é bem mais complexa e, por isso mesmo, irredutível à construção de variáveis tão assertivas quanto as apresentadas no livro. (Uma crítica de uma das resenhas, aliás, fala justamente que Gladwell apresenta argumentos extremamente convincentes para provar suas hipóteses, mas nada diz sobre as evidências que não corroboram suas ideias... Como dizem os engenheiros, isso é fazer conta ao contrário: já se sabe o resultado de antemão).
Em tempo: ainda que discordando de quase tudo o que Gladwell escreveu, acho que o livro tem méritos. O principal deles é o de suscitar a reflexão. Se livro bom é aquele que faz pensar, não dá para dizer que Outliers é ruim. Mas “fora de série” não é.
Keila Grinberg
Departamento de História
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro